O vazio
Deixado pelo silêncio da sua voz
Ecoou nas perenes do meu quarto
Extrapolou as portas e
Invadiu a minha casa
O vazio deixado
Pelos olhos que se cerraram
Seja cansaço, sono ou vadiagem
O vazio que ficou…
Foi aqui
Diante do reflexo do espelho
Refratado, conceituado
Escrito por minha consciência
Que encontrei as palavras
Que trouxeram à vida
Aquele ao qual senti tanta saudade
Rabiscos no espelho
Olho e me vejo
No reflexo tenho palavras sob minha imagem
As minhas palavras
A minha pessoa
Repito diariamente o processo
Olho
Escrevo
Me olho
Me descrevo
Assim me liberto
Daqueles que me reprimem
Algoz do corpo presente
Mas também me reconheço
Como meu próprio encarcerador
Então vejo a chave dessa prisão
No meu próprio cinto
Um conto que terá um ponto
A chave da porta que não quis atravessar
Estava aqui bem diante de mim
Ao alcance da minha vontade
No meu próprio reflexo
Reflexo de quem eu sempre fui
E agora me reconheço
Sozinho no ambiente refratário
Entre aço, areia e calcita
Um homem íntegro
O homem por quem me apaixonei
O alicerce de mim mesmo
Te encontrei
Onde eu havia te deixado
Deslocado.
O andar de cima faz muito barulho,
Já não é mais uma questão de "me conformar".
O andar de cima faz muito barulho,
Pula, parece até que é uma serca.
O andar de cima faz muito barulho,
Talvez pense que é algum tipo de exemplo.
O andar de cima faz barulho demais,
Chega a ser repetitivo, prolixo.
O andar de cima não se enxerga,
Cego perdido em seu próprio ego.
O andar de cima faz muito barulho,
É imoral, inconsequente e irracional.
O andar por cima faz barulho,
Mas o tempo devolve.
O andar de cima faz barulho demais,
Copia acefalamente uma obra remanofaturada.
O andar de cima só faz barulho,
Nem se sabe se merece estar por/em cima.
O andar de cima com tanto barulho,
Realmente acha que tem a razão.
O andar de cima faz barulho só,
Não sabe que não sabe, porque pensa que sabe.
O andar de cima com tanto barulho assim,
Se torna irresponsável.
O andar de cima embarulhado,
Só está em cima por um mero acaso.
O andar de cima faz muito barulho,
O tempo apaga as palavras mas a noite se torna barulhenta.
O andar de cima faz barulho de novo,
Não tem como separar, faz parte da mesma construção.
Mas o andar de cima só sabe fazer barulho,
"Calma, um dia não estará mais aqui".
É que o andar de cima com tanto barulho,
Não enxerga que só sabe gritar,
Tem uma visão simplista da complexidade humana,
Se acha exemplo de coisa alguma,
Vive vendado,
Não tem rumo,
Prumo,
Nexo,
Palavra,
Hombridade,
Tão pouco sabe planejar.
Pro andar de cima só podemos aguardar,
Tá mais perto de Deus, fica mais fácil de Ele puxar.
Pra mim
Aqui na madrugada das 5:21
Acordei e num lapso inconsciente escrevi
Escrevi algo que veio da alma
Não sei se com rancor ou com iluminação consciente do meu eu
Aquele eu que vai crescendo e se desenvolvendo
Rogo por ser o segundo pois assim me sinto mais conectado com meu futuro
E menos apegado com meu passado
Mas escrevi.
Talvez...
Você não tenha o tempo que preciso
Para falar de Dor.
Não entenderia se...
Te explicasse o que e como
Realmente se entende por empatia.
Sim, o como.
Não ter empatia
É quando um homem sabe o que é um chute no saco mas já não sente o ápice
Nem tão pouco por quando tempo dura
E pega apenas o recorte do momento e diz...
Já passa.
Não ter empatia
É quando uma mulher sabe o que é um soco no peito mas já não sente o ápice
Nem tão pouco por quando tempo dura
E pega apenas o recorte do momento e diz...
Já passa.
Não ter
É quando você leva anos criando alguém
E aquela folha em branco que vai recebendo tudo...
Valores, personalidade, caráter
Tenta apagar alguns rabiscos com uma borracha virgem e você diz...
Esquece isso.
Ter
É entender que a dor é muito maior do que se pensa
Que dura muito mais do que se quer
Até mesmo quando se diz...
Eu te entendo.
Meu silêncio,
Que evita as certezas das brigas,
Expurga a nítida imagem
Onde um pai carrega o caixão
Com as mãos sujas se sangue.
Ainda brigo no ar,
Defendo minha vivência,
Minha existência.
Um futuro que não escrevi.
Apontando o lápis...
Para perfurar e reescrever,
Ou desenhar algo novo.
Mente qual seu veredito?
Sou o único a confiar na minha força,
Mente qual seu veredito?
Mente, qual seu veredito,
Mente qual é o veredito.
É o pulsante vácuo
Que preenche
Quando o sono
Desmorona sob seus músculos.
O vibrante tilintar
De sua voz,
Ecoando no vazio.
Presente do presente.
No esfregar de suas mãos
Em minha pele,
Sinto a presença
Da ausência.
O gosto pelo carinho,
Se compreendido,
É uma doação.
Atemporal.
A falta que faz,
Eminente desejo,
Percalço amargo
Do todo em torno.
Vazio,
Não como se um dia
Fora cheio.
Vazio
Não preenchido.
Sem um quem
Ou sensação tátil
Não alcançada!
Calígula em tormento.
Peça única conformada.
Vazio,
Agonizante
Deteriorante.
A falta do que
Revoga na revolução,
Como que bradando
Um mudo se apresenta.
Ao mundo um grito
De socorro,
Grito de reconhecimento,
De não vazio.
O que é o oposto?
Qual o antagonismo?
Ver e ouvir,
Sentidos e sentimentos,
Provar dos sentidos!
Provar cada sentimento!
Testar seus limites,
Correr contra o tempo!
Viver a favor do tempo.
Ter, conter, ter.
Te ter...
Te sentir...
Te ver...
Aqui...
Tendo bons sentimentos,
Explorando meus sentidos,
Te vendo, te imaginando.
A cada conjuntura uma nova sensação.
Sonhando acordado.
Início, meio e sem fim.
Novamente ela caía
Era visível que caía pois ele não se levantava
Escorria pelas mãos
Chegara ao chão
Molhava rosto e mãos
Molhava mãos e chão
Ele não se levantava
Provavelmente porque era difícil
Tamanha decepção
Caía mais uma
Tímido se levantava o sorriso
Talvez para demonstrar força
Ou para cerrar a conversa e irmos embora